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Coluna do meio-dia

Coluna do meio-dia

29/03/2012 12:31

Por Ricardo Antunes*

Demolição

Tem gente que faz cara feia e o chama de “imperador”, mas a verdade é que o Governador de Pernambuco fez um verdadeiro strike.

Aquele movimento que, no boliche, é a maior jogada e derruba os dez pinos, finalizando o game.

Nas 48 horas que passou em Brasília, essa semana, ele conseguiu eliminar o que restava de oposição ao seu Governo e ao seu projeto de 2012 e 2014.

Enfraqueceu Raul Jungmam (PPS), Daniel Coeho (PSDB) e Mendonça Filho (PFL).

Retirou do jogo, sem pena e sem dó, o inssosso deputado Raul Henry (PMDB).

Por sua vez, dentro do seu próprio espectro político, conseguiu dividir as principais lideranças do PT, como Humberto Costa, João Paulo e o Prefeito João da Costa. E fragilizou as ambições do senador Armando Monteiro Neto (PTB) e do líder do PSC, Carlos Eduardo Cadoca. Como também do seu aliado, o ex- governador Joaquim Francisco, hoje, do PSB.

Alguém se habilita ao jogo ou posso dizer que o jogo acabou?

Armando e suas mágoas

Principal liderança da Frente, depois do Governador Eduardo Campos, o líder do PTB e Senador Armando Monteiro Neto continua dizendo a verdade sobre o Prefeito João da Costa. “É um quadro político fraco, teve durante todo esse tempo ausência de diálogo e tem um deficit de interlocução com seus aliados que cresce a cada dia.

O próprio Armando Monteiro passou quase seis meses sem receber um único telefonema do Prefeito, quando seu partido integrava a base de sustentação política do mesmo.

Cansado e de pavio curto, está dano o troco agora a João da Costa e esperando a implosão interna do PT.

Autoridade na cabeça

No discurso de ontem na Índia, no encontro dos BRICS, a presidente Dilma cometeu um ato falho revelador de seu estado de espírito atual, reflexo da situação política a milhares de quilômetros de distância, no Brasil.

Quando lia o discurso para falar sobre “austeridade”, trocou a palavra por “autoridade”.

A crise de autoridade no Congresso, desafiada abertamente até pelos aliados, pode ter feito emergir do inconsciente presidencial a preocupação que não passa nem com a viagem pro outro lado do mundo.

Deus está em Cuba

A grande massa de fiéis que recepcionou o papa Bento XVI na ilha dos irmãos Castro, mostrou, mais uma vez, o acerto da política da Igreja Católica de investir no contato direto com a população de países pobres. Nisso, João Paulo II, antes de Bento, era craque.

A estratégia milenar é lançar a esperança da recompensa divina ao sofrimento terreno, mesmo às nações de governos oficialmente ateus. Bento não viaja tanto quanto o antecessor, mas adota a mesma fórmula ao ir ao encontro de Deus em Cuba.

Como, aliás, João Paulo II já havia feito em 1998.

Lavareda é leve

Quem menos se estressou com a notícia da prisão do marqueteiro, dada por este colunista às quatro horas da manhâ de ontem, foi o próprio Antônio Lavareda, que conversou comigo sobre o fato, com o seu habitual talento e inteligência.

“É que como aqui não se tem jogador de futebol da seleção e nenhuma atriz de novela da Globo, eu fico sempre virando notícia”, disse um espirituoso Lavareda, que nunca perde o amigo, nem a piada.

Tive a honra de trabalhar com ele fazendo consultoria, juntos, para o então Governador Blairo Maggi (MT) na sua campanha de reeleição em 2006.

E, posso assegurar, que por trás de uma imagem de “chato” e “esnobe”, que algumas pessoas imaginam, o professor é, na verdade, um tímido. Para chegar aonde chegou, teve que colecionar inimigos e desafetos, pois ninguém se torna milionário da noite para o dia sem pagar esse preço. Ainda mais em uma cidade como Recife, onde é proibido se fazer sucesso.

Mas o “Lava”, como lhe chamo carinhosamente, é “leve”. E ele sabe que eu sei que ele sabe que eu sei.

É, portanto, um personagem que é noticia em qualquer lugar do Brasil. E o será, pois como empresário e articulador, é natural que assim seja.

Não vamos nunca brigar com os fatos, pois.

Nem com ele.

Tirem o “cavalo da chuva” os aulicos ao seu redor, que imaginam o contrário.

 

41 telefonemas

Por falar em Lavareda, sua assessoria “queria porque queria”, que o nosso texto fosse igual ao do competente colunista Josué Nogueira, do Diario de Pernambuco. Ele publicou que o marqueteiro tinha passado por um “contratempo” no Aeroporto dos Guararapes, ontem pela manhã.

” O jornalista do DP escreveu certo e você, errado” ensinava, aos berros, a assessora, que é bem paga para fazer exatamente isso: Tirar da imprensa o que de “ruim” possa envolver o seu cliente.

Como não sou assessor de imprensa da holding do publcitário, preferi usar o termo “”constrangimento”.

Até porque, gosto e fato não se discutem.

E ficamos, como diz minha amiga Danuza Leão, combinadíssimos assim.


FHC e Eduardo estendem as mãos

As visitas de Fernando Henrique a Lula, no hospital, e de Eduardo Campos a Jarbas Vasconcelos, no Congresso, mais do que fotos marcantes, mostraram a aproximação de estilos que une o ex-presidente e o governador de Pernambuco, que quer chegar ao Planalto mais cedo do que imaginaram seus opositores.

A simpatia cativante de FHC, da qual nem Lula nem Dilma escapam, parece ser um modelo para Eduardo, que não perde uma oportunidade pública para exprimir grandeza em nome de motivações coletivas – o que não impede o desejo pessoal legítimo de galgar os mais altos degraus de poder da nação.

Resta saber até que ponto a semelhança vai e onde começam as diferenças.

 

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