Política

Mágoa e inconsistência no discurso de vítima

Mágoa e inconsistência no discurso de vítima

26/09/2012 13:48

 

 

Por Ricardo Antunes

Para quem achava que o alvo do PT seria o candidato do PSDB, Daniel Coelho, que lhe tirou do segundo lugar e dá toda pinta de ir ao segundo turno, Humberto Costa protagonizou talvez a maior surpresa da noite. Em tom que para muitos pode soar como de antecipação da derrota, Humberto lembrou o passado de dedicação e defesa do governador Eduardo Campos, de quem foi secretário. Lembrou que se posicionou a favor de Miguel Arraes, avô de Eduardo, no famoso caso dos precatórios, e também foi defensor de Ana Arraes, mãe do governador, quando esta foi denegrida pelo senador Jarbas Vasconcelos no Congresso, e do ministro Fernando Bezerra Coelho, pivô de ataques na mídia. “O PSB preferiu se aliar a Jarbas a dar continuidade à aliança com o PT”, queixou-se Humberto, visivelmente magoado.

A coragem de vítima que denuncia a ingratidão dificilmente é algo que rende votos. Mas foi um desabafo. Depois do processo desgastante de escolha do candidato do partido, que só foi resolvido com a intervenção da cúpula petista, que temia a baixa popularidade de João da Costa e preferiu apostar na estrela do senador Humberto Costa para não perder a chance de ficar 16 anos no poder no Recife, Humberto parece cansado. E seu cansaço é semelhante à fadiga de material do PT na prefeitura da capital.

No lance derradeiro para recuperar os votos perdidos para Geraldo e Daniel, os petistas jogam tudo na PPP da Compesa, usando a mesma tese que obteve sucesso na campanha de Dilma Rousseff. Como o governador engoliu a corda e foi publicamente explicar que não se trata de privatização, as pesquisas palacianas devem ter indicado a influência negativa da acusação sobre a possibilidade de vitória no primeiro turno. A explicação rendeu ao PT o que o PT queria: um novo gás para polarizar com Geraldo. Se isto será suficiente para reverter a tendência de queda de Humberto, logo veremos.

Humberto Costa pode ser um pote até aqui de mágoa com o governador Eduardo Campos. Mas fazer pose de vítima não cola, sem uma prova cabal de coerência. O senador deveria comandar a entrega dos cargos do PT no Governo do Estado. E não são poucos. São mais de 500, entre concursados e terceirizados. Alguns deles com gratificações que passam dos R$ 7 mil reais. Depois que a campanha passar, a mágoa pode até continuar, porém a coragem de confronto não terá sido nada além de febre momentânea. Quem sabe, Humberto volta até pro governo, sem o perigo de ser monitorado por Geraldo.

Opine e entre na discussão