Política

Todos atirando contra um Coelho só, por Ricardo Antunes

Todos atirando contra um Coelho só, por Ricardo Antunes

14/09/2012 11:07

 

 

Não faltam motivos para os adversários de Daniel Coelho unirem esforços nas últimas semanas de campanha eleitoral, para tentar a todo custo impedir que continue em ascensão nas pesquisas. A ida para o segundo turno de um azarão, um elemento surpresa, é tudo o que nenhum deles quer, especialmente o favorito, que ainda torce para ganhar no primeiro turno. Mas a esta altura Geraldo Júlio e a cúpula do PSB já se contentariam em tirar definitivamente o tucano do páreo, e concorrer com Humberto Costa, num cenário previsível desde o começo, e portanto com estratégia definida. Seria muito mais fácil já que o petista carrega o ódio do atual prefeito Joõa da Costa e ao que parece a fadiga de um material que a população começa a identificar como ruim, atrasado e envolto em tenebrosas transações como o mensalão. Ir ao segundo turno, ou ainda esmagar o petista no primeiro e era tudo que o “ imperador” – maldade criada pelo adversários – Eduardo Campos, gostaria no seu roterio para “anexar” o Palácio Capibaribe ao seu prestigiado e popular Governo Estadual.

Havia, no entanto, um pedra no caminho. Ou melhor, um Coelho.Ninguém com um mínimo de percepção dos fatos considera que foi pura coincidência o Ministério Público trazer à tona o caso das notas frias da Câmara Municipal. Até por causa da relação de amizade entre o procurador Aguinaldo Fenelon e o seu ex-secretário de finanças na Prefeitura de Paulista, Geraldo Júlio – como revelamos no Leitura Crítica. Na época, quase dez anos atrás, Fenelon era o vice-prefeito do município.

Até João da Costa, que estava se fingindo de morto, acordou para rebater a declaração de Daniel, que o chamou de “candidato inventado” comparando-o com Geraldo Júlio. “Inventado é Daniel”, disparou o prefeito do Recife, que conhece muito bem o assunto. O laboratório petista de candidatos consagrados não tem similar no planeta. O pior, do ataque do prefeito impedido de disputar, foi mostrar que ele já se definiu bem de qual lado caminha nessa sucessão

A dúvida agora é até onde vai a reativação do caso, e seus efeitos na opinião pública. Como não se fala noutra coisa, é de se esperar que uma das duas coisas aconteça: ou a estratégia de Daniel de apontar a perseguição, posando de vítima, dá resultado e ele ganha ainda mais a simpatia do eleitorado, chegando ao segundo turno e consumando derrota humilhante ao PT; ou a aura de novidade se perde por causa das notas frias, e as próximas pesquisas indicarão que o alvo terá sido abatido.

As nuvens foram velozes: quem diria, há um mês, que a principal preocupação do PT e do PSB seria Daniel Coelho?

Essa história de dizer que  “eleição é facil” definitivamente não combina com o humor do eleitorado recifense.

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