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Notas frias e o casuísmo da Justiça pernambucana, por Ricardo Antunes

Notas frias e o casuísmo da Justiça pernambucana, por Ricardo Antunes

13/09/2012 12:55

 

Os jornais locais deram destaque à solicitação de reabertura de processo contra Daniel Coelho (PSDB), pelo MMPE, mas foram bastante tímidos a questionar a razão do fato, que ocorre a apenas 25 dias do fim do período eleitoral e um dia depois do tucano ter empatado com Humberto Costa (PT) em pesquisa de intenção de voto.

A estratégia da campanha do PSB estava, na verdade, toda programada para o confronto direto com o PT, no eventual segundo turno. Com o crescimento de Daniel, ela teve que ser revista e agora a ordem é partir para a “desconstrução” do tucano, que tem crescido entre os jovens e a classe média formadora de opinião.

É bom não esquecer que o procurador Agnaldo Fenellon foi indicado pelo governador Eduardo Campos, ligação essa que ninguém está tendo a coragem de explicitar por aqui, mas vai dar o que falar na imprensa do Sul do país. O que é ruim para a imagem de quem quer ser candidato a Presidente da República. O “Império” terá que ter prudência até mesmo para “melar” o jogo no Recife. Do contrário, o efeito pode ser o contrário do desejado. Anotem.

Além disso, é curioso notar a frequência com que os processos contra políticos e governos ficam hibernando nas gavetas da Justiça, até o ponto de desafiarem a memória da população. O caso das notas frias de Daniel não é nem de longe comparável aos milhões e milhões que são objetos de investigações denunciadas pela imprensa e pela oposição nos últimos anos. Os governos do PT e do PSB não podem levantar sequer a voz para posar de inocentes. Há processos cabeludos contra as gestões de João Paulo, de João da Costa e de Eduardo Campos – ou será que ninguém se lembra da crise na Cultura, quando a presidente da Fundarpe foi convidada a se retirar do posto por causa de pagamentos muito mal esclarecidos, até hoje adormecidos pela atuante Justiça pernambucana? Será que o secretário que fez tudo na administração eduardista monitorava a Fundarpe, na época do escândalo? Ou não monitorava, por algum motivo?

É duro, mas a impressão que dá a esta altura do campeonato eleitoral é de que o MPPE age com destemido casuísmo, para prejudicar a ascensão do tucano e garantir a fatura no primeiro urno . Tentar instrumentalizar a justiça para fins meramente eleitoreiros,  a serviço de uma candidatura poderosa como de Geraldo Julio,  pode até  fazer com que os aúlicos fiquem bem na fita com o governador.  Mas pode também gerar  uma reação em cadeia e transformar Daniel Coelho em “vítima” dos “poderosos” o levando mais facilmente para o segundo turno das eleições.

 

 

Comentários

CRISTIANO LINS - 14 de setembro de 2012

LUCIANA AZEVEDO, AINDA ESTA SOLTA ? ESTA TUDO PROVADO! O QUE A JUSTIÇA QUER MAIS, A TA O GOVERNADOR É QUEM PROMOVE ELES A TA.

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camila - 18 de setembro de 2012

Concordo parcialmente, a divulgação desta informação tem que ser feita, se não divulgam a dos outros, aí converse com quem não está divulgado todos os bastidores da eleição de recife que diga-se de passagem, não tem um candidato decente.

Eu que não voto em melhorzinho.

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