Política

O “João da Costa” do  Governador, por Ricardo Antunes

O “João da Costa” do Governador, por Ricardo Antunes

04/09/2012 12:16

Por Ricardo Antunes

Há quatro anos, o governador gravou um depoimento de trinta segundos para consolidar o apoio ao então candidato petista que sucederia João Paulo. Como o Geraldo Júlio de então, João da Costa encarnava para Eduardo Campos a figura do gestor trabalhador, competente e sensível.

No  depoimento, disponível no You Tube e que circula nas redes sociais ele foi taxativo:

“Quem conhece João da Costa se surpreende de uma maneira muito positiva com ele. Pelo seu conhecimento do Recife. Pela capacidade de trabalhar e de unir, pela visão de futuro, pela competência. Mas o que mais nos chama atenção em João da Costa é a sua capacidade de se comover com aqueles que mais precisam. É esse conjunto de qualidades que me dá certeza de que João da Costa será o prefeito do Recife.”

Nota-se como a linha de elogios é bastante parecida com a campanha atual. Mas desta vez o governador pode dizer que conhece mais ainda o candidato, quase uma criatura sua que agradece o apoio do andor e já lidera as pesquisas de intenção de voto para a Prefeitura do Recife.

Ao cidadão não acometido de Alzheimer político, caberia perguntar o que o governador Eduardo Campos pensa sobre o prefeito do Recife hoje?. Por que motivo, junto com o próprio PT, saltou do barco da administração João da Costa, sem continuar dando o aval para a renovação natural do mandato – ou pelo menos a sua tentativa?

Nada indica que eleito, Geraldo Júlio, possa conseguir a primazia de ser pior que o atual prefeito.

Nada, pórem, pode garantir  o contrário. É uma aposta. E toda aposta requer um risco.

Pois pelo isolamento a que foi submetido, o prefeito parece não ter cumprido a expectativa de trabalho e união do governador. Ainda que ensaie se juntar ao PSB, quem sabe ainda nesta campanha, para dar o troco em Humberto, João Paulo e todos que o abandonaram.

Se isso vier a acontecer, no reagrupamento de forças para o segundo turno, é possível que venhamos a assistir um novo capítulo dessa história, com o candidato Geraldo Júlio louvando a gestão de João da Costa como uma obra interrompida.

No confuso desenho das nuvens da política pernambucana da era “eduardista”, tudo é possível.

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