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Debate ruim e pobre de idéias

Debate ruim e pobre de idéias

21/08/2012 00:39

Por Ricardo Antunes

Apesar do lançamento generalizado de farpas e do ensaio de conflitos polêmicos, foi muito pobre, para o eleitor, o primeiro debate entre os candidatos que querem governar o Recife em substituição ao prefeito João da Costa.

Todos, sem exceção, deram prioridade aos ataques pessoais e políticos, e esqueceram de discutir os problemas da cidade – que são muitos. Nesse quesito, o menos ruim foi Daniel Coelho, que passou maior firmeza e clareza de ideias.

E o pior, sem dúvida, foi Geraldo Júlio. O embate aberto pode prejudicar até sua ascensão nas pesquisas, caso as propostas de cada um não sejam priorizadas. Sua fala, repetitiva em alguns pontos,  e visilvemente ensaida e decorada em outros, mostra que ele ainda não está a vontade em fazer a travessia de um bom técnico, que seguramente o é, para um bom político. Mas nada que não possa ser superado. Especialmente a partir de hoje, com tutoriais de grandes promessas no Guia de TV e rádio.

Humberto, como sempre e pela tarimba, esteve bem postado, rebatendo ataques com outros, bem no estilo petista. Mendonça, pra variar, sem carisma mas seguro, buscando imprimir um ar de experiência às intervenções, tendo que assumir onus de ter sido governo. Esteves Jacinto, constrangido, pego de surpresa de ter que explicar onde comprou seu “carro importado”, numa inusitada demonstração de jogo baixo por parte de Geraldo Júlio. Numeriano, que é articulado, causou pena ao conseguir chegar atrasado no debate.

Enquanto as desavenças e arranjos eleitoreiros eram explorados, visando a desqualificação dos oponentes, todos eles puseram em segundo plano os verdadeiros problemas do Recife. Temas como a falta de mobilidade, o saneamento básico precário, a educação indigente, a saúde indigna e os equipamentos públicos abandonados foram solenemente esquecidos, ou tratados sem a ênfase e o aprofundamento merecidos. A polêmica construção dos viadutos da Agamenon, por exemplo, que afetará o dia a  dia da população e tem sido questionada por entidades não mereceu maior discussão por parte de nehum deles.  O candidato do PT  ainda ensaiou dizer algo para em seguida confessar que não conhece o projeto.

Vamos ver se, com a campanha massificada pela mídia obrigatória, o presente e o futuro da cidade voltam a ser o foco dos candidatos.

Por ontem, o eleitor mais atento, teria muita dificuldade escolher algum que merecesse o voto.

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