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Leão paga novo mico e fica perto do rebaixamento

Leão paga novo mico e fica perto do rebaixamento

16/08/2012 13:27

 

Por José Neves Cabral

 

 

O Sport investiu pesado na contratação de jogadores para fazer uma boa campanha no Brasileiro.

Verdade? Verdade.

Mas investir pesado não significa necessariamente contratar os jogadores adequados para as posições que estão carentes de bons jogadores.

Basta uma análise mais apurada em cima das atuações do time para verificar que os vícios verificados durante o Campeonato Pernambucano se apresentam, novamente, no Nacional. Ontem, na derrota por 2×0 para o Botafogo, ficaram ainda mais evidentes.

Na defesa, o time carece de um quarto zagueiro de nível. Edcarlos, ex-São Paulo, veio para resolver, mas revelou-se indeciso, falho. Diego Ivo é tecnicamente sofrível, e Aílson também não convence, embora possamos aqui louvar o seu caráter ao assumir o erro publicamente pela derrota para o Figueirense. Merece nossa louvação pela incrível sinceridade e autocrítica. Afinal, nem todo boleiro é assim.

O meio-de-campo é completamente inútil, pois os dois volantes Tobi e Ritcheli não sabem sair jogando. O primeiro atrapalha-se muito nas coberturas, embora goze de extrema simpatia da torcida que confunde espírito de luta (e isso ele tem, é inegável) com eficácia. O segundo também esbanja vitalidade, vez por outra aparece até no ataque, tentando chutar, mas a falta de pontaria revela o desleixo para aprimorar o fundamento.

Na armação, Felipe Menezes deixou o sol carioca por uma bagatela, dizem que cerca de R$ 180 mil. Mas o tempo que passou esquentando o banco do Botafogo tirou dele a mobilidade e o ritmo de jogo. Tem bom domínio de bola, mas raciocina lentamente e quando pensa em iniciar uma jogada o adversário já lhe roubou a bola num bote certeiro.

Dinheiro não falta na Ilha. São R$ 35 milhões da verba de televisionamento, fora arrecadação dos jogos, dos sócios, do patrocinador da camisa e dos prismas no estádio, além do que o clube fatura com a venda de bebidas e licenciamento de marcas para materiais esportivos.

Por baixo, podemos estimar que são R$ 50 milhões/ano. A folha salarial do elenco beira os R$ 2 milhões. Hugo, consagrado meio-campista, recebe R$ 210 mil. Henrique, que virou um reserva de luxo por obra e graça de Vagner Mancini, recebe R$ 180 mil. Gilberto, R$ 90 mil. Ainda há Cicinho, Felipe Menezes… É grana alta.

Mas, convenhamos, falta método, malícia. Dizem que o time tem um gerente de futebol. Espera-se de quem é remunerado para ocupar um cargo deste nível ao menos zelo pelo dinheiro do clube, pelo dinheiro que o torcedor paga para ver o time jogar.

Como esse diretor de futebol nos explicaria o fato de o time ter sete centroavantes – Gilberto, Henrique, Gilsinho, Felipe Azevedo, Magno Alves, Roberson e Saulo? Que mistério é esse? Qual o diretor que autorizou tamanha gastança num setor em detrimento de outros, pois faltam volantes, faltam armadores, faltam pontas-de-lança, zagueiros?

Quem saiu ganhando com esta gastança? O Sport? Duvido. Mas deve ter empresário comemorando a farta colheita na Ilha.

Estamos na 17ª rodada do Brasileiro e o Sport somou apenas 14 pontos. Tem ainda dois jogos para encerrar o turno, contra Fluminense (fora), e o Náutico, em casa.

Se vencer os dois jogos, hipótese mais que improvável, vai fechar o turno com 2o pontos e precisará de, no mínimo, mais 26, para tentar (digo tentar) escapar do rebaixamento. Se vencer apenas o Náutico terminará a fase com 17 pontos e vai ter que somar pelo menos 29 no returno para tentar fugir da degola na bacia das almas. Se não vencer o Náutico, então…

É difícil, é muito difícil.

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