Sem Censura

Os donos do PT. Por Ricardo Antunes na Coluna do Meio Dia

Os donos do PT. Por Ricardo Antunes na Coluna do Meio Dia

23/05/2012 13:47

O Partidos dos Trabahadores, que nasceu com o intuito de “consertar” as mazelas da política “suja e corrupta” dos partidos de “direita”, mostra com a prática política diária que não é assim tão diferente dos outros. Que o ex-presidente Lula ainda manda ninguem pode contestar. Que o diga a senadora Marta Suplicy que teve que abrir mão de sua candidatura para o ex-ministro Fernando Hadad

Pra começo de conversa, aqui no estado, talvez seja o partido que tem mais donos.  Humberto Costa, João Paulo, Mauricio Rands, Pedro Eugenio e agora goste-se ou não o prefeito João da Costa. É muito cacique e pouco índio  e  uma mistura geralmente explosiva que somente termina em confusão. E ela vai continuar, além do resultado final da Executiva nacional previsto para amanhã, não tenham  a menor dúvida disso.

Toda vez que a Executiva nacional fez alguma intervenção para a escolha de um candidato do PT, aliás, a coisa deu em chabu. Os exemplos nem precisam ser citados. Talvez por isso a ordem no Palácio das Princesas é de se afastar da baixaria protagonizada por todas as lideranças do PT nesse lamentável episódio que coloca bem como é feita a democracia interna no Partido dos Trabalhadores. Ora, se havia algum indício de fraude nas prévias, o mais correto seria o candidato Mauricio Rands ter denunciado antes da abertura das urnas, ou ainda durante todo o dia de domingo.

Mesmo andando com lideranças como o senador Humberto Costa e o ex-prefeito João Paulo – aquele cuja maior obra foi “separar as pessoas”, no bom artigo de Fernando Castilho, do JC – era claro o constrangimento, pois na maioria das zonas os donos do PT local eram recebidos com vaias e gritos de “traidores”.  Mesmo com o clima desfavorável nas ruas sendo sentido na pele, os caciques do partido tinham certeza de que Mauricio Rands seria o vencedor das prévias. A ficha só caiu quando as urnas foram abertas.

E o clima de agressividade que tomou conta do candidato derrotado não foi por acaso. O resultado foi uma surpresa. E de surpresa ruim ninguém gosta. E então, o que fazer? Numa breve consulta feita pelo telefone a algumas pessoas, definiu-se que não se iria aceitar o resultado, e partiram para melar o jogo jogado. O jogo em que, lembre-se, a CNB e os partidários de Rands têm a maioria do diretório estadual e nacional. Como com tanta maioria eles conseguiram perder ainda é uma resposta que o governador Eduardo Campos espera. Embora esteja achando graça no suicídio coletivo do PT, ele estimulou a candidatura do seu Secretário de Governo. E foi por isso que o senador Humberto Costa foi fazer a visita oficial ao governador para anunciar o que já havia dito antes. “Não existe possibilidade alguma de João da Costa ser o candidato”, disse o senador, segundo uma fonte do Palácio.

 

O governador, que já havia tido a promessa de que Mauricio Rands ganharia as prévias com folga preferiu, dessa vez, não dar crédito, vai esperar o resultado da confusão. Afinal, se era para as prévias eram apenas uma encenação, como ficou demonstrado, porque a tortura de expor o partido as mazelas em praça pública? Se a direção nacional do PT queria afastar o prefeito qual o motivo de não ter chamado o mesmo e ter imposto a sua vontade política ? pegariam muito mal mas talvez fosse menos traumática do que a tentativa de agora. ”Essa briga não é nossa e não fomos nós que inventamos”, conta em reserva um assessor palaciano para quem o PT perdeu todas as condições de liderar alguma coisa.

Como São Paulo manda em tudo mesmo, a decisão do jogo jogado vai para lá e tudo pode acontecer. Uma coisa é certa. Quem pensa que Rands pode levar no tapetão pode se dar com outra fantasia. O jogo é pesado, mas quem pensa que o prefeito João da Costa está parado enganou-se. “Vou até o fim”, confidenciou ele à sua tropa de choque. “Essa agressividade de Mauricio eu nunca tinha visto e estou surpreso”, alfinetou o deputado federal Fernando Ferro, repetindo que o PT não tem dono.

É o caso de se perguntar: imagine se tivesse.

 

Comentários

Carlos - 24 de maio de 2012

Parabéns, Ricardo, pelo excelente trabalho.

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