Sem Censura

Moura Dubeux ocupa tudo. Por Ricardo Antunes, na Coluna do Meio Dia

Moura Dubeux ocupa tudo. Por Ricardo Antunes, na Coluna do Meio Dia

17/05/2012 12:29

O negócio de R$ 6,5 bilhões que é o Convida Suape, no Cabo de Santo Agostinho, faz os milhões do empreendimento da Moura Dubeux no Cais José Estelita parecerem trocado.

O novo bairro com tamanho de cidade deve abrigar 25 mil residências e complexos comerciais e de serviços para a demanda de tanta gente, a maioria, trabalhadores de Suape.

A assinatura do negócio é da Cone, empresa formada pela Moura Dubeux e um fundo de investimentos da Caixa.

Depois do anúncio do Convida, que teve a presença do governador, como será que fica a polêmica do Estelita?

A empresa, que cresceu muito nos governos de Joao Paulo e Jarbas Vasconcelos  poderá rever o projeto, atendendo aos apelos das manifestações?

Tão improvável quanto os moradores do Cabo resolverem ocupar a área do Convida.

A MD ocupa o Recife e a Região Metropolitana, e vai continuar ocupando.

Alguém duvida?

 

Família

Pegou muito mal, dessa vez, no próprio TCE as declarações do conselheiro Marcos Loreto, dizendo que retirou a votação das contas do prefeito João da Costa para que não “se politizasse o tribunal.

Soou, para muitos,  como uma clara confissão de culpa.

Afinal, se não queria as interpretações de que estaria, em tese, beneficiando o primo e candidato Mauricio Rands, por que diabos o conselheiro colocou isso em votação a três dias antes das prévias do PT?

Teve que dar o dito pelo não dito e foi criticado por todos.

A sessão durou menos de meia hora e o clima foi tenso.

Muito tenso.

E as informações que tenho diz que o tensionamento vai prosseguir

 

A verdade como factoide

A cerimônia de instalação da Comissão da Verdade foi vista por muitos como o momento de unanimidade da presidente Dilma Rousseff.

Dilma nas alturas, ladeada por ex-presidentes e compungida ao choro, falando do passado de sofrimento, da memória e da história que o Brasil não esquece.

Está certo, mas não precisava ter virado factoide.

Como factoide, o evento homenageou menos a verdade do que a farsa, em um país que encobre as verdades e passa a mão sobre as cabeças de políticos contraventores, ou deixa os contraventores tomarem conta da política.

A maioria dos ex-presidentes que estiveram no Planalto ontem, e a atual, têm contas a prestar com a verdade. Negociaram ou negociam com a verdade sem o menor escrúpulo, em nome do poder que detiveram ou detêm.

E nem precisamos ir a Brasília para ver como isso funciona. Em Pernambuco, os casos de engavetamento envolvendo a verdade por trás de figuras ilustres da cena política está quase diariamente nos jornais.

No Brasil, a justiça falha e a verdade tarda.

 

Coleguinhas de hoje

Brilhante a colunista do DP, Marisa Gibson, ao definir com uma frase todo esse imbróglio. “A sutileza do episódio é ter tirado do baú algo que poucos estavam atentos e que agora é do conhecimento de todos, petistas ou não petistas”. Precisa dizer mais?

Já o blogueiro Magno Martins errou feito ao afirmar que o governador “entrou em campo para fazer gestões para tirar o processo da pauta de votação”. Ledo engano. Eduardo Campos é profissional e não fez gestões para adiar a votação pelo simples motivo de que nunca mandou Marcos Loreto colocá-la, pondo em risco a imagem do TCE.

Essa decisão, que pareceu mais uma trapalhada, foi tomada pelos partidários de Mauricio Rands com o próprio Marcos Loreto, e sem comunicação prévia ao governador, que ainda estava na China. A análise do blogueiro não leva em conta que o governador é profissional da política, e não amador.

 

Walkabilty

Por sua vez a sempre competente Luce Pereira, do DP, nos brinda com o significado da palavra “walkability”.

É um termo que só funciona “em lugares onde os pedestres são respeitados e dispõem de, no mínimo, calçadas inteiras, o que nunca foi e está longe de ser o nosso caso”.

E cita, em tom de fina ironia, que talvez conheçamos isso em 2022, quando “a maior cidade planejada do Brasil” estiver concluída pelo Grupo Moura Dubeux.

                                                  É, faz sentido.

 

 

Só faltou o nome

Mas a melhor de hoje vem também do DP, dessa feita de forma negativa.

Produziu-se uma boa matéria sobre a tentativa de demolição de um dos últimos prédios antigos da avenida Boa Viagem, o Caiçara, tombado em 2011.

O MPPE interveio junto à Dircon e à Fundarpe, segundo a reportagem, mas a “construtora não quis se pronunciar”.

Não entendi. É proibido colocar o nome da empreiteira, é?

                                                 Amanhã, então, vamos dizer.


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