Sem Censura

João Paulo fecha com Armandão. Por Ricardo Antunes, na Coluna do Meio Dia

João Paulo fecha com Armandão. Por Ricardo Antunes, na Coluna do Meio Dia

16/05/2012 13:39

O ex-prefeito João Paulo, que tanto fez questão de assumir seu compromisso partidário de não sair do PT e buscar outra legenda para suas pretensões políticas, já decidiu: caso João da Costa vença as prévias do domingo, vai  não só negar seu apoio ao candidato do PT, como deve cerrar fileiras em torno do projeto do senador Armando Monteiro Neto

O acordo de bastidores, que vinha se desenhando, foi batido na última semana durante um encontro reservado entre o senador e o ex-prefeito em Brasília. “Não posso seguir quem me traiu”, repete João Paulo como um mantra em direção a João da Costa, que, por ironia, foi o nome que ele mesmo bancou para sua sucessão, em 2008, em detrimento de outras lideranças maiores como o senador Humberto Costa e o próprio Mauricio Rands.

Com o apoio a Armando Monteiro Neto, o ex-prefeito espera também dar o troco ao governador Eduardo Campos, pois considera que saiu humilhado na sua breve passagem como assessor especial do Palácio das Princesas. “Ele saiu do Palácio humilhado”, disse um dos seus auxiliares. Para o líder do PTB, o apoio de João Paulo é essencial para sua eventual candidatura, pois o ex-prefeito conta com uma boa performance junto ao eleitorado da capital em todas as pesquisas de opinião pública.

O ressentimento com o governador também esconde outra mágoa. Dessa vez mais recente. Quando liderava todas as intenções de voto para Prefeito do Recife este ano e ainda estava disposto a se lançar nas prévias do PT que definiria o candidato,  João Paulo foi chamado ao Palácio para uma conversa reservada com o Secretário da Casa Civil, Tadeu Alencar.

Àquela altura, com o Palácio estimulando o nome do Secretário de Governo, Mauricio Rands, ele recebeu das mãos do próprio Tadeu Alencar uma papelada seguida de um comentário. “Não podemos arriscar, prefeito”, disse em tom seco e pragmático. Nos documentos, todos os 12 processos que o ex-prefeito responde no TCE por malversação de recursos públicos, e que repousam no órgão à espera de julgamento.

Um dos quais tem também a relatoria do conselheiro e amigo pessoal de Eduardo Campos, Marcos Loreto. Um outro, mais escandaloso ainda, corre em segredo de justiça. Ao se deparar com os documentos, João Paulo pediu um tempo para se reunir com seus auxiliares e duas semanas  depois voltou ao Palácio para um café da manhã com o governador, onde anunciou o seu apoio a Mauricio Rands. Tudo um jogo de cena para quem pensou em novamente governar o Recife e viu sua ambição desabar de uma vez por todas. No PT, caso João da Costa vença, não haverá mais qualquer espaço para ele.

 

Cadê o debate?

O cancelamento do debate entre os pré-candidatos do PT à Prefeitura do Recife é mais um lance feio do conturbado jogo da sucessão no partido governista.

 Fosse no front das oposições, principalmente no DEM e no PSDB, os petistas certamente não perderiam a oportunidade para taxar os adversários de anti-democráticos, elitistas ou coisas desse tipo.

 A justificativa de Mauricinho Rands recorda os argumentos que sempre foram utilizados por aqueles que lideraram pesquisas eleitorais, e preferiam não se expor em confrontos diretos, fora do controle dos marqueteiros.

 Se há um “debate rico e programático” feito separadamente, seria de supor que ele seria muito mais válido se Rands e João da Costa ficassem frente a frente, para a avaliação dos filiados do partido que irão votar no próximo domingo.

O temor de que o acirramento dos ânimos poderia se agravar no calor da polêmica, e prejudicar qualquer um dos dois que se saísse vitorioso, só é válida para quem não confia no que diz e no que faz.

Obama e Hillary Clinton trocaram duras farpas nas prévias nos EUA, e, nem por isso, Obama deixou de ser eleito presidente.

 

Retorno socialista

A França amanheceu em festa pela volta dos socialistas ao poder, com a posse de François Hollande na presidência.

 Os órfãos de Mitterrand apostam que Hollande imporá medidas de crescimento econômico forçado, com investimentos pesados do setor público e a manutenção das garantias sociais que vinham sendo ameaçadas por Sarkozy.

 Apesar da euforia de setores da esquerda europeia, Hollande sabe que o caminho que tem pela frente não será nada fácil.

 A penúria e o endividamento dos países do Euro continuam, e a transformação do discurso de campanha em medidas concretas e eficazes dificilmente irá se dar da noite para o dia.

 Com grande chance de frustração, nada incomum na pátria da Bastilha.

 

Presente na Caixa

A inauguração da Caixa Cultural no Marco Zero é um presente para os amantes das artes no Recife.

 Pena que é um presente que não será totalmente aberto, mesmo depois da inauguração, que contou com exposição de Siron Franco.

 Até o final do ano o espaço terá uma programação reciclada de outras praças, o que já é alguma coisa, mas não é o ideal. O presente para os pernambucanos só sairá mesmo da caixa em 2013, quando a Caixa Cultural deverá contar com agenda própria.

 

 

Governador não gostou

Conforme antecipamos, o conselheiro Marcos Loreto aceitou o recurso da PCR e adiou o julgamento das contas do prefeito João da Costa, relativo ao período em que ele ainda era secretário de planejamento de João Paulo.

 Não se sabe de quem foi a feliz ideia dessa “pressão política”, mas há vários suspeitos.

 O governador Eduardo Campos, que é profissional da política, não deve ter gostado nada nada da brincadeira feita na sexta-feira, quando ainda estava de regresso da China.

 Política não é coisa para amadores.

 

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