Opinião

Energia: é melhor trabalhar para não ver a riqueza fugir pelos dedos, por Geraldo Eugênio

Energia: é melhor trabalhar para não ver a riqueza fugir pelos dedos, por Geraldo Eugênio

16/05/2012 10:18

Recentemente um grupo de profissionais de Pernambuco esteve na OTC 2012 (Offshore Technology Conference), em Houston, Texas.

Mais do que uma conferência, a OTC tornou-se a mais importante feira mundial de petróleo e gás, o que justifica a presença desta equipe com dois principais objetivos: acessar o que existe de mais moderno, em termos tecnológicos, e prospectar empresas americanas ou de qualquer outra região interessadas em instalarem-se aqui ou associarem-se a empresas pernambucanas.

A primeira sensação que se tem, ao se ver que mais de 4.500 empresas e instituições de todo o mundo se faz presente à mostra, é que o fim da era do petróleo ainda demorará um pouco.

Por outro lado, mesmo que o petróleo, como combustível, diminua sua importância nas próximas décadas, o que é mais provável, sua relevância como base industrial para uma centena de produtos será cada dia mais valorizada. Significando que, investir na indústria de petróleo e gás, ainda será uma boa aposta e que, quanto mais rápido se possa avançar no domínio tecnológico de extração do óleo em águas profundas, ou do xisto betuminoso, melhor para países como o Brasil que testemunharam descobertas de poços em águas profundas ou em suas áreas continentais, nos últimos anos.

Durante o retorno, no aeroporto Houston, encontramos na prateleira da livraria/loja de conveniência, o último número da revista Fortune, com a seguinte chamada de capa: The United States of Natural Gas.

Em três artigos, relata-se a expansão do conhecimento na extração de gás e petróleo das áreas de xisto e de poços aparentemente  ´secos`. As descobertas de gás natural, associada à técnica de ´fracking`, que permitirá a recuperação de bilhões de metros cúbicos de gás, nos Estados Unidos, em especial, nas próximas décadas, levando  o Presidente Obama declarar, no último discurso (State of the Union) para o Congresso Americano, que o país conta com gás natural suficiente para atender sua demanda por um período de cem anos.

As implicações sobre a economia, a política energética e a ordem mundial destas descobertas são extensas. Primeiro, reduz-se significativamente a dependência americana por importação de petróleo, com isto, o produto já não será o determinante econômico que tem sido desde sua descoberta e exploração como combustível líquido  desde a segunda metade de século XIX.

Segundo, aos Estados Unidos dependeram menos do petróleo e contarem com reservas substanciais de gás em quase todo o seu território, mais facilmente o preço do petróleo será controlado, evitando-se variações extremas, como observou-se na última última década.

Tudo isto nos faz raciocinar sobre as nossas reservas do pré-sal e de quão importante será a rapidez do domínio de sua exploração e do melhor aproveitamento destes recursos. Em se postergando, o país poderá encontrar à frente um período com preços de petróleo inibidores à exploração do pré-sal e, com isto, torná-lo menos atrativo por algumas décadas, podendo-se incorrer no risco de ao invés de se ver discussões sobre  políticas de modernização da matriz energética, vermos os políticos e grupos de interesse perderem o precioso tempo em uma luta insana engalfinhando-se sobre se os royalties serão disponibilizados para os estados que, coincidentemente, tiveram os poços identificados à 200 km de suas costas, ou se para a nação como um todo.

O tema energia será um dos três mais importantes sobre o futuro da humanidade e do planeta terra, junto à água e alimentos. Neste sentido, cabe ao país estabelecer políticas sãs de apoio à identificação e exploração de seu potencial produtivo de fontes convencionais, diga-se, petróleo; não convencionais, a exemplo do gás de xisto e das energias renováveis.

O país conta com uma posição privilegiada. Hoje, 47% de sua matriz energética provêm de fontes renováveis, mas isto não significa que os outros países estão parados. Pelo contrário, há uma corrida de Fórmula 1 pelo domínio das tecnologias de acesso a energias renováveis e mais eficientes e, em se deitando no nosso eterno berço esplêndido, poderemos dormir ricos e acordar pobres.

Comentários

José Dilcio Rocha - 17 de maio de 2012

Excelente artigo, muito lúcida a análise e as diretrizes, parabéns ao autor Dr Geraldo Eugênio.

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