Opinião

Acidentes de uma geografia chamada Governo

Acidentes de uma geografia chamada Governo

21/04/2012 07:27

Por Geraldo Eugênio*

Até muito pouco, tudo parecia perfeito. A chefia dando sinais de total domínio da situação. Um reconhecimento irrepreensível, movimentos políticos acertados e a sensação de que somente caberia marcar o gol e correr para o abraço, como se diz na gíria da galera.

De uma hora para outra, viu-se que os fundamentos não eram aqueles que a propaganda oficial alardeava. A recuperação econômica e o bem estar do povo não eram o que se vendeu e que, além disto, a economia dava sinais de cansaço, anemia, baixa capacidade de recuperação.

Como todo governante que se preza, haveria de se encontrar uma ameaça externa ou não. Um inimigo ameaçador, pronto a quebrar os pilares da democracia, a urbanidade, a cultura e, portanto, constituía-se em uma ameaça que, somente o grupo no poder poderia se dar ao luxo de controlar e, se necessário debelar por completo.

O inimigo. Na pele de um desgraçado, lixo da civilização francesa, de origem árabe não foi o suficiente para voltar a abrir as portas do encanto. Eternas amizades foram desfeitas. A relação carnal com a Alemanha foi negada, deixando a noiva extremamente ofendida e magoada.

Quando o noivo viu-se desgarrado, abandonado e sendo questionado, insinuou voltar à casa da sogra, encontrando as portas cerradas. O concorrente que, em algum momento, lhe foi negado os ossos, já havia sido convidado para o banquete. Restando ao desafortunado ter que conquistar sozinho, o que havia comprometido, a credibilidade.

O homem arregaçou as mangas e partiu para o tudo ou nada. No último domingo, almoçou com a nobreza francesa, membros de um conservadorismo dogmático e eleitores privilegiados. Aqueles que financiaram sua campanha, há cinco anos, e continuam, já com ressalvas, financiando a atual. Depois da sobremesa, veio o mais interessante. Foi à rua, encontrar-se com o povão. O mal cheiroso, o mal vestido, o sem-perfume. Abraçou um, dois, três, até que sentiu que seu relógio, que havia custado à sua Maria Antonieta, 75mil euros. Aí deu dois passos atrás, retirou-o e rapidamente escondeu-o no bolso, evitando o risco de algum espertalhão o subtrair.

Eis o fim de um sonho de renovação de um mandato e o epitáfio de uma campanha errante: Aquele que temeu ser roubado por seus eleitores.

O interessante de tudo isto é que, na maioria dos casos, são os eleitores que temem deles ser subtraída a carteira, o relógio, os medicamentos, os salários dos professores, a merenda dos estudantes, a escola, o hospital, a ponte, a estrada tantas coisas mais.

Os fatos narrados estão se passando em um país do outro lado do Atlântico. Algo similar, em um grau maior ou menor, foi testemunhado em outros países. Podendo ser transplantado para outras praças, inclusive Pindorama.

É aí que mora o risco e a atenção da nossa mandatária presidente. Não há apoio inconteste, nem prestígio que não se eroda. Um passo em falso é suficiente para colocar tudo por água abaixo.

Por incrível que pareça, hoje, o ambiente político de Pindorama é uma areia movediça. Somente com uma fundação perfeita evita o risco de não vermos a casa desabar. Portanto, senhora presidente, cuide bem dos movimentos dos pares, no executivo e ao redor. Em o povo sentindo-se ludibriado e perdendo a confiança, não há governante que se sustente, mesmo havendo feito muito. Por uma simples razão. Em política, a ação não se mede pelo que foi feito, mas por aquilo que o candidato e seu grupo têm condições de fazer, de modo positivo ou não.

 

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