Opinião

A crucificação. Por Téta Barbosa

A crucificação. Por Téta Barbosa

17/04/2012 18:18

Vou escrever o pior texto da minha vida: o que eu tenho que me explicar.

Não haverão piadinhas nem ironias. Não vou escrever com meias palavras, pois nem todo entendedor é bom! Vou tentar resumir, ser clara e direta.

Que o post sobre o Cais José Estelita causou polêmica, é fato consumado.

Polêmica boa, na minha opinião.

Eu mexi em assunto delicado e tratei com pessoas mais delicadas ainda.

Recebi críticas, elogios, xingamentos, fãs, seguidores, perseguidores.

Nenhuma novidade.

O fato é que, desde então, Téta Barbosa (uma pausa para piada – me senti jogador de futebol falando de mim na terceira pessoa) virou o alvo de acusações, e não mais o projeto Novo Recife. Não mais se discute o #ocupeestelita, mas a credibilidade desta que ousou dar sua opinião.

Para isso, jornalistas envolvidos no movimento contra o Novo Recife, tentam de todas as formas desqualificar minha ética profissional.

Vamos ao fatos concretos e relevantes:

FATO 1 – A jornalista Daniela Lacerda escreveu uma carta aberta na Rede Social FaceBook me acusando de plágio de uma matéria (escrita para o blog do jornalista do O Globo, Ricardo Noblat). Diz a profissional que me apropriei das informações de uma matéria escrita no jornal onde a mesma trabalha, o Diário de Pernambuco.

Minha resposta para ela por email foi:

“Boa noite Daniela,

acho que o termo “apropriação de uma pauta” é bem forte para descrever o que aconteceu. Sou assinante do Diário e do JC e, como minhas leituras diárias, são minha fonte de informação, não só para textos, mas para a vida. Nunca pesquiso de uma única fonte. Os textos que escrevo para Noblat não são de caráter “informativo”, são crônicas . A crônica ( gênero literário que consiste na apreciação pessoal dos fatos da vida cotidiana) por definição é um texto com minha opinião sobre um fato. Fato este descrito em várias matérias, a do Diário inclusive. Não usei nenhuma frase/expressão/reflexão feita pelo jornalista em questão. Mas, diante deste desconforto posso afirmar que isto não vai voltar a acontecer e que o Diário (o jornal ou Portal) jamais voltará a ser fontes de informação dos meus escritos

Téta Barbosa”

A jornalista também mandou email para Ricardo Noblat (o responsável pelo blog de política do GLOBO) que, depois de comparar as matérias respondeu:

“Cara Daniela: não me acuse de endossar postura antiética. Não vi nada de antiético na postura da Teta.

Ela não plagiou a matéria do Diário. Não copiou literalmente frases da matéria. Leu a matéria e escreveu sua crônica a partir do que leu. Já li Verissimo escrever dezenas de crônicas a partir de fatos narrados em jornais. Como Zuenir Ventura. Como tantos outros cronistas. Pedirei a Teta para não escrever mais com base em notícias publicadas pelo Diário. Pedirei para que só considere as notícias dos demais jornais – se isso lhe deixa satisfeita.

 Noblat”

Não satisfeita com as respostas, Daniela Lacerda publicou uma carta pública me acusando de plagiadora e mostrando apenas um lado da moeda. Não, na carta dela ela não mostra minha resposta muito menos a de Noblat nem pede para os leitores compararem as matérias em questão.

E isso eu faço questão de fazer:

Matéria do Diário – Clique AQUI

Crônica de Teta Barbosa para o blog do Noblat – Clique AQUI

Posso estar sofrendo de mania de perseguição pós trauma de bullyng virtual (atenção, ironia Mode On) mas pelo que percebi, isto nada mais é que uma retaliação a minha crônica sobre o movimento #ocupeestelita apoiado pela moça em questão!

Me parece que na falta de argumentos, vamos as acusações. Que aceito, assim como críticas, portanto que tenham fundamento!

FATO 2 – O produtor Rutílio de Oliveira, (até então considerado meu amigo,irmão,camarada) é um dos organizadores do movimento #ocupeestelita. O mesmo me cobrou um posicionamente em relação ao movimento. Pediu para eu escrever matéria divulgando o evento. Na época do pedido, eu respondi EM MENSAGEM PRIVADA que não iria escrever. Sim trabalho para a Moura Dubeux e para muitos outros lugares. Não estava me sentindo confortável para falar contra nem a favor. O tempo passou e decidi escrever. Pensei. “ora essa, se eu falo mal de outros clientes meus (ex: o atual Prefeito e um Shopping ) porque eu não posso falar bem de um cujo projeto eu apoio? Como se pode não ter “rabo preso” para falar mal e se sentir culpada para falar bem. Quando decidi escrever, decidi também que precisava ser clara em relação ao assunto e no próprio texto eu coloquei:

“Sou publicitária e já fiz uns comerciais de prédios da Moura Dubeux (uma das 3 construtoras responsáveis pelo projeto) e quando filmei dentro dos apartamentos no lugar de pensar “que bando de capitalista filho da puta” tudo que eu consegui pensar foi “queria tanto morar num desses”. E que jogue o primeiro tijolo quem nunca quis morar num prédio bom! É fácil ser hippie de butique e protestar tirando foto com iphone, né? Porque, dos oito mil e trezentos defeitos que eu tenho, hipocrisia não é um deles!”

Achei eu que tal parágrafo (para bom e ruim entendedor) havia deixado bastante claro meu envolvimento profissional com a construtora em questão.

Mas, com o objetivo, mais uma vez, de tirar minha credibilidade como formadora de opinião, Rutílio de Oliveira fez um print screen (tirou uma foto da página) da mensagem PRIVADA que eu havia mandado pra ele semanas atrás dizendo:

“Uma jornalista vendida. Vejam a resposta dela quando eu perguntei sobre sua posição : (e lá estava a foto da minha resposta PRIVADA dizendo que a Moura é cliente e que eu tenho contas a pagar, por isso não iria escrever).

Amigo, lembram?

Acho que não precisa nem dizer o quão anti ético e deselegante é expor uma mensagem que lhe foi enviada em particular,né? Tenho certeza que essa parte todo mundo entende.

Então, venho mais uma vez dizer que aceito críticas e ARGUMENTOS.

Transformamos uma discussão séria numa briga da terceira A contra a terceira B na final dos jogos escolares do ensino fundamental. Perderam-se as ideias, os argumentos, a credibilidade do jornalismo pernambucano.

Virou briga de comadres, piada de botequim.

Uma pena.

Mesmo.


Conheça Téta Barbosa, clique aqui.

Comentários

josecaminha@gmail.com - 23 de abril de 2012

Téta, embora não compartilhe do seu ponto de vista, lamento que sua opinião tenha feito eclodir tanto ressentimento entre pessoas tão queridas. Fazer algo por aquele espaço não é fazer qualquer coisa, assim como na defesa de um argumento não vale partir para ofensas pessoais. Quem é contra o projeto não é hippie de boutique assim como quem é a favor não vendeu a alma ao demo. Tanto de um lado quanto de outro tem gente que já usou roupa de grife comprada depois de realizar trabalhos ou receber apoio de ricos empresários. Se nós tentamos nos equilibrar para sobreviver, por que o rico empreiteiro não pode pensar em algo ambicioso e humano ao mesmo tempo? Vai lá, faz um condomínio sustentável de dez andares e área verde. Será vendido a peso de ouro, certamente, e vai causar inveja nos mais fracos – mas vai ser um bálsamo quando olharmos a paisagem da cidade, já ferida por tantas torres. O que não pode é deixar que um assunto tão sério vire bullying. Vamos deixar de “queijo” e fazer as pazes. Espero por você, Téta, na hora da saída, para que possamos sair de mãos dadas. Junto com Rutílio, Ana Paula, Kleber, Aninha… Bjs em todos.

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