Opinião

Engenharias em Pernambuco: um novo olhar para um novo mundo

Engenharias em Pernambuco: um novo olhar para um novo mundo

29/03/2012 07:10

Por Geraldo Eugênio*

Durante um longo período, Pernambuco contou com boas escolas de engenharia, profissionais renomados, mas uma demanda pequena, típica de uma economia girando à baixa velocidade. Por várias décadas, os cursos de engenharia eram sinônimos de desistência, elevados índices de reprovação e baixíssimo nível de conclusão no tempo devido.

Para alguns, isto era sinônimo de qualidade, ou do rigor que deve ter os cursos de engenharia, para outros, inclusive, para mim, a retenção de estudantes é sinônimo de falta de esperança, desencanto e, muitas vezes de uma qualidade didática duvidosa que consegue transformar a matemática, o cálculo e a física em monstros aterrorizantes.

Com a retomada da economia pernambucana, há uma mudança radical na percepção e procura pelos cursos de engenharia. Hoje, os mais disputados entre todos. Aqueles que atraem o melhor dos alunos do segundo grau, os que apresentam reduzidas taxas de desistência e, pasmem, notas médias elevadíssimas, mesmo nos anos do básico.

Onde há perspectiva de ganho, crescimento e prosperidade, não há obstáculos. Esta é uma lição básica. O exemplo que mais me chamou a atenção me foi passado pelo coordenador do curso de Engenharia Naval da Universidade Federal de Pernambuco. A média de notas dos primeiros vinte alunos do curso, durante dois anos, foi de 8,1. Seja engenheiro ou não, qualquer um sabe que uma nota média de 8,1 em um bom curso universitário é algo respeitável, imagine que esta foi a média de toda uma turma.

Este exemplo nos trás a uma constatação clara: devemos elevar o padrão dos cursos de engenharia de Pernambuco de modo a atender a demanda desta juventude que chega com prazer ao cálculo e à física e que conta com um momento diferenciado na história econômica de Pernambuco para colocar toda sua capacidade, criatividade e conhecimento à disposição do crescimento são e de uma economia ascendente.

Aí, vem um alerta claro sobre as escolas. Se de um lado as empresas, sejam tradicionais ou novas cobram por melhores e mais atualizados profissionais, por outro, os jovens estudantes aspiram contar com o que mais moderno existe de teoria e prática em cada um de seus cursos, de forma a atender a demanda e conquistar a vaga que poderá ser de outro profissional vindo de outras regiões do país ou do exterior.

Utilizando-se da filosofia do programa de ensino e intercâmbio científico para os estudantes os jovens brasileiros, o Ciência sem Fronteiras, o emprego, este sim, não tem fronteiras ou amarras e não é à toa que países que passam por dificuldades tendem a fornecer mão de obra qualificada a países em crescimento acelerado.

Jovens profissionais do mundo inteiro serão bem vindos e precisamos da visão cosmopolita, do aprendizado diferenciado, das técnicas, de seus conhecimentos em idiomas, mas o fato é que, também queremos participar do momento. Empregar e ocupar uma juventude que há poucos anos aspirava por um passaporte e uma passagem ao exterior.

Precisamos ter nossos jovens engenheiros e tecnólogos na gestão dos empreendimentos, na direção e, mais importante do que tudo, no timão de novas empresas. De pequenas e médias empresas qualificadas para exercerem a consultoria, a produção de bens e prestação de serviços para os segmentos da indústria do petróleo, metal mecânica, construção civil, eletro eletrônica dos grandes empreendimentos instalados em Pernambuco, no Brasil, ou em qualquer lugar do mundo.

As instituições precisam ser capazes de transmitir gana aos seus alunos. Neste sentido, há um desafio à nossa frente; o de termos uma engenharia de primeira grandeza, capaz de formar profissionais aptos a competir onde e quando se fizer necessário.

Temos alguns exemplos que merecem ser replicados. Um deles é o Projeto Mangue Baja, do Departamento de Engenharia Mecânica, da Universidade Federal de Pernambuco. Há treze anos alguns professores e seus alunos vêm lutando na construção de uma cultura de engenharia automotiva na Universidade, pacientemente planejando, construindo e levando um carro à competição, entre dezenas de escolas do país. Esta semana, na competição nacional finalizada no último dia 25 de março, em Piracicaba, São Paulo, nossa equipe foi a segunda melhor da nação, entre 78 universidades concorrentes. E, tal qual no ano passado, credenciou-se a participar da competição internacional que se dará nos Estados Unidos.

O bonito disto é que o projeto foi iniciado quando sequer imaginávamos que, algum dia, Pernambuco poderia contar com uma montadora de veículo. A Fiat está em nossa casa e com ela estes jovens profissionais preparando-se para os desafios de uma moderna indústria automotiva que passa por mudanças radicais em temos de materiais, mobilidade, eficiência energética, segurança e custos.

A nova dimensão industrial de Pernambuco necessitará de um novo padrão de ensino tecnológico e de engenharia. Neste sentido, fica o alerta para esta tarefa. Se queremos ser grandes, aspiremos mais do que ser bons, procuremos fazer de Pernambuco um símbolo do ensino tecnológico e uma referência internacional em ensino de engenharias.

 

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