Opinião

O mundo vem a Pernambuco

O mundo vem a Pernambuco

12/04/2012 06:05

Por Geraldo Eugênio*

Em um mundo globalizado, a relação entre as regiões e países torna-se peça chave para o desenvolvimento econômico, social e cultural dos povos. O surto de investimentos que Pernambuco testemunha, o remete ao mundo e obriga o estado a sair, conhecer e manter o contato com empresários, intelectuais, turistas, estudantes das diversas partes do planeta.

Isto é algo que tem sido feito, mesmo que nem sempre de forma sistematizada. São iniciativas que se dão por impulsos individuais, ou quase ao acaso, na maioria das vezes. Longe estamos, como país, de fazer o que a China fez nas últimas duas décadas, enviando seguidas missões de especialistas, militares, empresários, agentes de seu serviço de inteligência, políticos em grande número e com uma frequência incomum ao Brasil e à dezenas de países do mundo.

O resultado é que, hoje, a China detém um conhecimento sobre nós, inúmeras vezes o que conhecemos sobre o Império do Meio, o que é grave, em especial, quando a China, atualmente, é o principal parceiro comercial do Brasil e um dos maiores investidores. O conhecimento a que me refiro não apenas sobre os aeroportos e instituições visitadas, mas sobre as riquezas naturais, potencial produtivo, pontos fortes e fracos da vida política e econômica do país. Incluindo seus personagens.

Estes fatos nos faz lembrar situações que ocorre à nossa volta e nem sempre observamos com a devida atenção. Na semana que passou, Pernambuco contou com duas visitas consideradas estratégicas, geopoliticamente falando. A primeira, de uma missão do Paquistão, liderada por um assessor especial do Primeiro Ministro Yusuf Raza Gilani. É do conhecimento de muitos que a Presidente Dilma Rousseff esteve na Índia, participando de uma reunião dos líderes dos Brics: Brasil, Russia, India, China e África do Sul. Muito bem, em se tratando da importância estratégica do Brasil, provavelmente orientado pela China, o Paquistão investe na relação bilateral com o Brasil, de modo a não ficar distante de seu vizinho, uma vez que, além da China, fortalecer as relações com o Brasil é uma peça fundamental para seu futuro seja no campo militar, econômico ou político.

É importante chamar a atenção para o fato de que a visita desta missão à Pernambuco deveu-se a ação do Presidente do IPA, Júlio Zoé de Brito, que como presidente da associação de instituições de extensão rural do Brasil organizou, há alguns meses, a visita de especialistas pernambucanos, em agricultura, ao Paquistão. Algo aparentemente desconexo do nosso dia a dia, mas de uma importância política extraordinária.

A outra visita, liderada pelo Ministro do Comércio do Togo, Sr. Ahoomey-Zunu, acompanhando de especialistas em comércio exterior, pesquisa agrícola e do Cônsul do Togo, no Rio de Janeiro, concebida pela ação do Embaixador do Brasil em Lomé, Sr. Miguel Torres, um doa mais respeitados quadros do Itamaraty, em África e, primeiro representante do escritório regional do nosso Ministério das Relações Exteriores, em Recife, representa a importância dos países do Oeste da África, para o futuro de Pernambuco, do porto de Suape e das relações comerciais e culturais com os irmãos que, durante tanto tempo, foram quase esquecidos.

O Togo um país com uma área uma pouco maior da metade de Pernambuco e uma população de seis milhões de habitantes é parte de uma associação de nações africanas, que juntas contam com 200 milhões de habitantes, iniciando-se pela populosa e importante Nigéria, seguindo-se de Burquina Faso, Senegal, Mali, Ghana, entre outras.

Uma das razões da presença do Ministro Ahoomey-Zunu em Pernambuco foi o de estabelecer um regime especial de cooperação com o Porto de Suape, visando tonar o Porto de Lomé um ´hub` para as mercadorias que podem ser exportadas a partir desta região.

Uma oportunidade que não dever deixar de ser considerada como prioritária, uma vez que, além do comércio, abre-se a oportunidade para uma relação mais efetiva entre as instituições do Togo, tais como seus institutos de pesquisa agrícola e industrial, suas universidades e instituições governamentais e financeiras, com as recíprocas pernambucanas.

Valendo lembrar que antes da missão Pernambuco, que culminou com a audiência com o Governador Eduardo Campos, no ato, acompanhando do Secretário Maurício Rands e do Embaixador Isnard Penha Brasil, o Ministro Ahoomey-Zunu havia estado, em Brasília, como o Ministro da Agricultura e com os responsáveis no Itamaraty e no BNDES pela diplomacia e política de investimentos com e nos países Africanos.

São missões como esta que devem ser incentivadas nos dois sentidos. A missão Paquistanesa deixou claro que além dos temas agrícolas, considera estratégico tratar de assuntos como produção e distribuição de energia, em particular de fontes renováveis como a solar e a eólica.

No caso do Togo, além da cooperação técnica, a relação comercial que culmine com a exportação de açúcar, frango, grãos, roupas, medicamentos, máquinas e equipamentos eletrônicos pode ser algo atrativo para os empresários de lá e de cá.

 

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